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Peck News: Global Trends

Neste mês, o Global Trends tem a participação do advogado chileno Esteban Elias. Professor de direito econômico na Universidad Central de Chile e mestre em Direito Internacional (LL.M.) pelo Washington College of Law, o sócio do Elías & Cía. Abogados, que atua no Chile e nos Estados Unidos, fala sobre sua visão acerca das mudanças econômicas mundiais a partir da expansão das novas tecnologias.

1 – Em outubro, você virá ao Brasil para participar do evento Peck Advogados sobre riscos e oportunidades para o capital investido na economia digital. Como você avalia essa questão no Chile e na América Latina?
Esteban: A primeira coisa é entender que, quando falamos sobre economia digital, nos referimos a tudo o que envolve telecomunicações, indústria de comunicação e tecnologias da informação (no campo do software e hardware) e tudo relacionado ao mundo da Internet.

O Chile tem sido um país que, nos últimos anos, teve um grande desenvolvimento em relação à economia digital, que hoje representa 3% do PIB de acordo com as últimas medições. Além disso, a economia digital atingiu mais de US$ 40 bilhões nos últimos anos e o comércio eletrônico apresentou crescimento anual de quase 15%, com vendas de mais de US$ 25 bilhões. Mas esse cenário está gerando uma série de desafios. Recentemente, uma importante empresa varejista chilena acusou uma possível concorrência desleal por empresas de comércio eletrônico que estão localizadas fora do país. Na verdade, a economia digital tem uma dinâmica muito particular pela configuração global, onde as regulamentações locais variam e já não basta assumir que os produtos e serviços estão limitados às fronteiras dos países.

Em geral, na América Latina, os índices tradicionais de produtividade sofreram uma queda significativa, principalmente devido ao declínio nos valores de certas commodities e à falta de políticas nacionais que estimulam essa produção. No entanto, a maioria dos países latino-americanos mostrou grandes progressos nas diferentes áreas da economia digital. Portanto, para além da falta e da baixa produtividade de nossas economias, apresentaram grande desenvolvimento e progresso em áreas como telecomunicações, comércio eletrônico, aplicativos móveis, entre outros. Assim, nossas economias estão se adaptando aos tempos, buscando crescer através de novas plataformas e ajustar-se aos tempos atuais.

2 – A expectativa é que até 2025 a economia digital represente 24% do PIB global. Na sua visão, as empresas estão se preparando para esse cenário? Por quê?
Esteban: Sobre essa questão, basta ver o fenômeno que aconteceu com algumas lojas de varejo tradicionais nos Estados Unidos, como Sports Authority ou Circuit City. Ambas empresas não conseguiram continuar com suas vendas tradicionais e tiveram que fechar ou vender o negócio, principalmente pela concorrência do comércio eletrônico, que se tornou uma substituição natural para a venda de produtos pelas entidades mencionadas. Nesse sentido, acreditamos que a economia digital teve um avanço vertiginoso nos últimos cinco anos, onde as as maneiras usuais de fazer negócios estão atrasadas. Mesmo do ponto de vista operacional, o uso interno do correio eletrônico já está se tornando obsoleto como meio de comunicação dentro das empresas.

Acreditamos que as empresas gradualmente foram entendendo o impacto da economia digital em seus negócios e, dessa forma, transformaram parte do seu negócio tradicional de vendas para modelos de vendas online, reduzindo inclusive o tamanho de suas lojas físicas.

Por outro lado, as empresas entenderam que qualquer estratégia de marketing tradicional deve ser acompanhada por ações digitais. Nesse sentido, é fundamental que façam os ajustes necessários para trabalhar ativamente em novas políticas de promoção e marketing em diferentes plataformas online.

3 – Que medidas você acha indispensáveis ​​para tirar proveito dos possíveis efeitos da economia digital? Detalhe.
Esteban:
 Uma das medidas mais importantes que os países da América Latina deveriam adotar está relacionada à criação de normas que se adaptem aos tempos e às necessidades da economia digital e que permitam seu impulso e crescimento natural, para que não haja obstáculos legais. Por exemplo, toda regulamentação sobre proteção ao consumidor deve considerar o progresso e desenvolvimento de todas e cada uma das áreas.

Por outro lado, os governos devem trabalhar para criar incentivos e subsídios que apoiem o desenvolvimento e o crescimento das empresas em todas as áreas da economia digital, com uma cultura de investir em Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D).

Outro aspecto fundamental para aproveitar os efeitos da economia digital deve ser a construção de um capital intangível, que é um passo necessário e anterior para impulsionar os benefícios da economia digital.

Por último, e tendo em conta a gestão de dados pessoais sensíveis associados aos meios da economia digital, é fundamental gerar um quadro regulatório com medidas de controle adequadas e que dão segurança aos usuários que atuam nesse novo ambiente. Embora existam vários projetos em andamento no Chile, ainda não há definição de instrumentos únicos e vigorosos que garantam essa clareza de medidas.

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