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PPP News: De Olho no Mercado

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Convidado: Luiz Garrido, programador que atua na área de criação e desenvolvimento há mais de 15 anos. Com foco em projetos que envolvem computação gráfica e efeitos visuais, acumula experiência em importantes empresas do segmento como O2 Filmes, Casablanca Animation e Vetor Zero.

1) Em reportagem publicada recentemente, a coordenadora pedagógica do CDI, instituição que promove o empoderamento digital em mais de 16 países, afirmou que hoje no Brasil não existe clareza sobre como ensinar programação. Como um programador autodidata, que tem contato com aparelhos eletrônicos desde cedo, de que maneira você enxerga o uso das tecnologias como elemento educativo? Detalhe.
Garrido: Pensando na área de programação, eu diria que, apesar de ser ensinada em algumas escolas, deveria ser uma matéria obrigatória como matemática, português e outras são desde no ensino fundamental. Uma criança poderia aprender esses conceitos desde bem cedo. Pode parecer meio excessivo, pois nem todos irão mexer com software quando ficarem mais velhos, mas estudar programação construiria um grande poder de decisão e lógica tornando-os, com certeza, adultos com facilidade em resolução de problemas. Aqui refiro a qualquer tipo de problemas da vida cotidiana e não exatamente de matemática ou lógica. Hoje em dia está bem mais fácil ensinar programação, não é aquele bicho de sete cabeças que só se tinha contato em um curso superior. Não tem porque deixar isso de fora de uma grade curricular. A meu ver, tudo que temos hoje converte de alguma forma ou em algum momento à tecnologia, que seja um app, um site, um robô, uma cafeteira, todo sistema de um carro, etc. Temos falta de profissionais da área, sempre foi assim, a demanda só aumenta e deve continuar assim por muito tempo, é quase uma garantia de emprego no futuro e com ótimos salários e oportunidades. Queria, quando pequeno, ter tido acesso a esta área como qualquer um pode ter hoje em dia.

2) Você também atua como Diretor Técnico na certificação “Escola Digital Segura”, do Instituto iStart, que atesta a adequação dos colégios na utilização de ferramentas tecnológicas para melhoria do ensino-aprendizagem. Quais foram os desafios na concepção e execução deste projeto? O que você destacaria no resultado final?
Garrido: Já existia um processo para a certificação, mas que ainda não era sistematizada, baseada em uma coleta de dados bem trabalhosa e demorada. Era necessário tornar esse processo mais rápido e amigável e daí veio o projeto para criação de um sistema automatizado para ajudar nesta tarefa. Apesar da complexidade no back engine, temos hoje uma interface bem simples onde cada escola, com seu cadastro, responde questionários e envia as documentações necessárias para as certificações. Toda informação fica seguramente armazenada nos bancos de dados, disponíveis para os responsáveis do iStart. No final foi um grande passo para facilitar a obtenção do selo. Por tornar tudo mais digital, a plataforma ajudou muito o trabalho interno e externo, gerando mais exatidão e velocidade nos procedimentos envolvidos.

3) Fale mais sobre seus próximos projetos. Quais conceitos têm chamado mais sua atenção e quais atividades mais gostou de participar nos últimos tempos? Por quê?
Garrido: Como sempre trabalhei na área de computação gráfica com publicidade e cinema, atualmente o que mais tem me chamado atenção é a ideia dos vídeos 360. Ainda tudo é muito recente, mas é uma mudança total de conceito que funciona para todos no mercado, seja desde o diretor filmando, um compositor, roteirista, até um programador envolvido nas partes do processo. É uma evolução bem significativa na forma como estamos acostumados a ver “coisas” através de uma tela. Está deixando de lado um pouco o conceito do ponto de vista do diretor para termos o nosso próprio ponto de vista. Cada pessoa pode ter uma experiência única e completamente diferente através da mesma coisa, em um mundo de possibilidades. É mais uma área gigantesca sendo aberta no mundo da programação onde sem ela, nada disso seria possível. Atualmente estou desenvolvendo uma plataforma na nuvem, que já está em funcionamento, voltada para atender à gigantesca demanda que as produtoras têm para gerar o material final. Unindo diversas linhas de código e bastante estrutura de processamento, consigo entregar o que eles precisam dentro do tempo e com um baixo custo final para o cliente.

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